A Aliança de Combate à Desigualdade da África do Sul, uma aliança crescente de comunidades, movimentos sociais e ONGs, convocou um mês de ações contínuas em massa em outubro de 2020.
Em setembro, o presidente Cyril Ramaphosa anunciou que entraríamos em um “novo normal”. Isso após mais de cinco meses de um dos lockdowns mais extremos do mundo em resposta à pandemia de Covid-19. Um lockdown que tornou a sobrevivência quase impossível para as comunidades da classe trabalhadora!
Fomos assediados e assassinados pela polícia e pelos militares em nossas próprias casas; a economia informal, essencial para nossa sobrevivência, foi devastada; despejos violentos deixaram muitos sem-teto; milhões foram forçados ao desemprego ou a trabalhos precários; a violência de gênero piorou e as mulheres tiveram que arcar com uma responsabilidade desproporcional pelo trabalho de cuidado não remunerado; mais comunidades não têm acesso a alimentos e água, e nossa infraestrutura escolar precária não consegue proteger nossos alunos e professores. Os compromissos do governo com subsídios, apoio salarial e fornecimento de alimentos e água foram um insulto às nossas comunidades!
Para nós, esse “novo normal” é apenas um aprofundamento da crise social e política que nos forçou a sair da economia e a mergulhar no sofrimento e nas dificuldades.
A lógica do neoliberalismo no Estado
Sejamos claros: estamos nesta crise porque o Estado está preso à lógica do neoliberalismo.
Mesmo antes da pandemia, o governo já vinha nos atacando, intensificando sua agenda neoliberal. Desde 2012, o governo tem cortado sistematicamente orçamentos vitais para nossa dignidade e sobrevivência, a fim de priorizar o pagamento da dívida. Este ano, o Tesouro propôs cortes ainda mais profundos no orçamento. Isso inclui cortes na educação, saúde e serviços sociais.
Mas, por meio da auto-organização e do poder popular, desafiamos a lógica do neoliberalismo e mostramos que outro mundo é possível. Desde a partilha de sementes e hortas domésticas em Waterberg, Limpopo; a educação popular sobre segurança contra a Covid-19 no assentamento informal de Makause, Gauteng; programas de segurança alimentar em massa em Bonteheuwel, Cabo Ocidental; e a ocupação de terrenos baldios para construção de moradias em todo o país.
Agora é a hora!
A Covid-19 deixou claras as falhas do projeto neoliberal do Estado. No final de outubro, o Ministro das Finanças anunciará a Declaração de Política Orçamentária de Médio Prazo (MTBPS), onde falará sobre uma “recuperação econômica”. Sabemos muito bem que essa “recuperação” será apenas mais uma forma de favorecer os ricos e poderosos, enquanto o resto de nós sofre.
Mas não podemos nos dar ao luxo de mais ataques! Agora é a hora de nos organizarmos desde a base! Agora é a hora de retomarmos o nosso poder! Agora é a hora de construirmos um governo para o povo – não para os ricos! Agora é a hora de construirmos um novo mundo! Agora é a hora de intensificarmos nossas lutas por:
- Subsídio de renda básica e direito ao trabalho agora!
- Habitação pública digna para todos!
- Água potável para todos!
- Soberania alimentar e o fim da fome!
- Fim da repressão estatal!
- Chega de violência de gênero!
- Energia renovável de propriedade social, agora!
Mostraremos que tudo isso é possível através do cancelamento de dívidas odiosas, da transformação de nossas empresas estatais, da tributação dos ricos e da reestruturação da economia.
Movimentos comunitários em todo o país realizarão protestos em massa em outubro, em torno de reivindicações locais. Antes do anúncio do MTBPS, promoveremos um debate nacional e uma manifestação global ocorrerá em 17 de outubro.