Declaração de imprensa da Aliança de Combate à Desigualdade da África do Sul

Para lidar com a agitação social, precisamos enfrentar nossa crise socioeconômica subjacente!

A Aliança de Combate à Desigualdade observa com grande preocupação os acontecimentos em algumas partes do país. Reconhecemos e lamentamos as vidas perdidas e os meios de subsistência destruídos.

Reconhecemos que a situação atual foi desencadeada pela prisão do ex-presidente Jacob Zuma, mas que ela vai muito além disso. Ao tentar compreender a situação, fica claro que há diferentes forças em jogo, incluindo ataques coordenados. 

Mais importante ainda, reconhecemos a inevitabilidade da violência em uma sociedade com níveis tão elevados de concentração de riqueza, desigualdade e desemprego. A fome e o desespero têm raízes em uma crise socioeconômica profunda e de longa data – manifesta no desemprego estrutural e em um estado de desemprego permanente. Esses problemas estruturais não são apenas resultado do legado do apartheid, mas também de mais de duas décadas de fracasso na redistribuição de riqueza e no combate a níveis sem precedentes de desigualdade, como forma de proporcionar a vida melhor para todos que foi prometida.

Os cortes orçamentários mais recentes nos serviços públicos, na proteção social, no governo local e a descontinuação do auxílio emergencial só irão exacerbar as tensões sociais que vemos proliferar em todo o país.

Este parece ser o cerne da implosão social que colocou em risco a vida das pessoas. A ameaça à vida vai além dos distúrbios violentos, estendendo-se aos crescentes níveis de fome que certamente veremos, visto que as lojas estão sem mantimentos ou fechadas, somados ao aumento do desemprego, sem mencionar o impacto prejudicial que a suspensão dos pagamentos do SASSA terá.

Além disso, os distúrbios que presenciamos colocam em risco nossa limitada, porém importante, democracia constitucional. Os direitos protegidos pela Constituição, embora insuficientes, foram conquistados por meio de lutas importantes e lançam as bases para futuras lutas por transformações socioeconômicas. Por essas razões, embora compreendamos que a indignação seja alimentada, em parte, por esses problemas estruturais, serão os desempregados e os trabalhadores pobres que sofrerão ainda mais.

Embora não aprovemos a violência do Estado nem os tumultos, é fundamental compreender que a erupção da violência é consequência de décadas de neoliberalismo, que representam um grave fracasso na proteção dos direitos socioeconômicos das pessoas e levaram ao desemprego em massa e a profundas desigualdades, corroendo o tecido social de nossas comunidades, que agora estão à beira do colapso. 

Agora é o momento para que as organizações progressistas, incluindo movimentos sociais, sindicatos e comunidades, se unam e atuem como um baluarte contra os protestos violentos, antes que se transformem em ainda mais violência étnica e xenofobia. Se isso acontecer, pouco impedirá a crescente militarização do Estado sul-africano, o que prejudicará ainda mais as perspectivas de mobilização em prol de reformas progressistas. 

Como Aliança de Combate à Desigualdade (FIA), convocamos todos os sul-africanos a canalizarem suas energias coletivas para desafiar a crise socioeconômica subjacente de forma construtiva. Reiteramos, aqui, nosso apelo pela recuperação e expansão dos serviços públicos, pela implementação de uma renda básica universal digna para todos, incondicionalmente, e pela proteção de todos os nossos direitos humanos, tanto socioeconômicos quanto políticos. Nesse sentido, apoiamos o apelo urgente pela reintegração imediata do Subsídio de Alívio à Desgraça Social e pelo seu aumento para, pelo menos, R585 por pessoa por mês, com a implementação urgente da Garantia de Renda Básica Universal em R1268 por pessoa por mês. 

 

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