O Afeganistão está à beira de um retorno à violência, instabilidade e insegurança. A escalada da violência corre o risco de exacerbar a desigualdade, a injustiça e a negação dos direitos humanos de sua população, além de desencadear abusos e assédio contra os mais vulneráveis, em especial mulheres e meninas.
Estamos profundamente preocupados com a situação das mulheres e meninas afegãs, incluindo seus direitos à educação, ao trabalho, à liberdade de expressão e de movimento, bem como à sua segurança e dignidade. Exortamos todas as autoridades a garantirem a segurança e a proteção das mulheres, das meninas e de todos os cidadãos afegãos.
O retorno de um governo autoritário ao poder representa um retrocesso para a democracia. Uma vitória conquistada pela força armada não pode garantir segurança, paz e estabilidade, mas, ao contrário, perpetua a guerra, agrava a crise humanitária existente e aprofunda a vulnerabilidade já existente. Nós, membros da Aliança de Combate à Desigualdade na Ásia, denunciamos o uso da força armada, a invasão e a ocupação do Afeganistão.
É fundamental lembrar que esse conflito está se desenrolando em meio à pandemia de COVID-19, o que agravou o sofrimento da população.
Portanto, apelamos aos governos da Ásia para que trabalhem em conjunto a fim de mediar a paz e resolver o conflito mortal no Afeganistão, para que ativem todos os mecanismos e fóruns intergovernamentais regionais e trabalhem por meio deles para encontrar uma solução para o problema – uma solução que garanta segurança e proteção para todos os cidadãos, incluindo mulheres, meninas e crianças, e que combata a corrupção, fortaleça a governança e trabalhe pela igualdade, justiça e paz.
Instamos a ONU e a comunidade internacional a tomarem medidas imediatas para resolver a crise no Afeganistão e garantir apoio e assistência humanitária coordenados. Essa resposta deve ser sensível às questões de gênero, inclusiva e respeitar as necessidades e prioridades dos cidadãos afegãos.
Apelamos às organizações, redes e alianças da sociedade civil na região para que estendam sua solidariedade prática ao povo do Afeganistão.
Todas as meninas e mulheres, meninos e homens afegãos merecem viver uma vida segura, protegida e digna, e aspiram a uma vida de igualdade, livre de discriminação, abuso e assédio. A Aliança de Combate à Desigualdade na Ásia insta a comunidade internacional a garantir que essas aspirações do povo afegão sejam ouvidas e respeitadas.
Aliança de Combate à Desigualdade na Ásia